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  Pacotes de Viagem em Jipões Land Rover 4x4 no Nordeste


A Narrativa de Quem Faz...

                                            

                                  Paisagem Virtual  &  Paisagem Real

         Estou sentado em frente ao computador.Acabo de fechar mais uma venda. Meu gráfico indica ser a milésima nona.O telefone toca, atendo. É um dos motoristas da Trip da Areia, nossa empresa.

- Seu Ruy, deu tudo certo com os clientes. Acabei de deixá-los no aeroporto. 

- Ótimo Ailton.Tudo bem durante toda viagem?

- Adoraram, voltam o ano que vem para fazer de Fortaleza a Natal. 

- Você e os outros motoristas sempre afirmam que todos adoraram.Mas, quando recebo os e-mails, os clientes dizem que o passeio foi simplesmente fantástico, uma viagem inesquecível!

- Está vendo seu Ruy? Precisa aumentar nossa diária....rssssssss. 

- Vocês vivem passeando. E ainda querem ganhar mais?...haha.

      Foi ai que me dei conta de que estava fechado em um escritório com ar condicionado, em frente ao computador.Não pude evitar que os pensamentos e as lembranças das várias viagens que fiz como motorista pelas dunas, praias e trilhas na companhia de clientes que ao final da viagem se tornam grandes amigos, tomasse conta dos meus pensamentos:

.Porque ao invés de estar no volante  de um de nossos Land Rover, na companhia de pessoas que no decorrer do caminho vão mostrando que estão cada vez mais felizes por estarem tendo o privilégio de descobrir o que realmente podemos chamar de natureza exuberante, eu estava fechado em um escritório pilotando um computador a mais de 3000 kms dali?DELETA TUDO - É HORA DE VOLTAR A VIDA...

- Estaria eu com inveja dos motoristas? – a resposta é um sonoro: Sim.

Sou obrigado a confessar que o prazer de acordar cedo e ter a certeza de que o sol vai brilhar o dia todo me deixa fascinado pela vida que escolhi há alguns anos atrás e não pretendo abandonar tão cedo. Tive uma recaída, e chequei a conclusão de que não nasci para passar a vida em frente a um computador para sempre, aliás, a decisão esta tomada: a próxima viagem - sou eu quem faz.Não perdi mais tempo, pequei o primeiro vôo de volta ao Ceará.

Já no hotel em Fortaleza, estou a espera dos clientes que tomam tranqüilamente seu café da manhã. Eles parecem sentir-se um pouco inseguros se fizeram a escolha certa em deixar toda a mordomia de um cinco estrela numa cidade maravilhosa como aquela que tudo oferece, para se aventurar em praias desertas e dormir em charmosas pousadas a beira mar, porém pouco conhecidas. Ao entrar nos confortáveis Jipões começam a perceber que a mordomia não acabará, pelo contrario, está apenas mudando de nome e endereço.Nosso destino são os Lençóis Maranhenses, mas até lá, teremos oito dias, sem repetir a paisagem.

Logo que deixamos a cidade deparamos com as lindas e fascinantes - Dunas do Cumbuco.As maquinas fotográficas precisam registrar tudo, e nós como guias, temos que alertar:

- Há muito que ver e fotografar - Vá com calma!!!

Descemos das dunas em direção ao mar. Nossa estrada agora vai ser a faixa de areia da praia, antes porem, uma parada na Lagoa do Cauipe - água rasa e quente e os Wind Surf velejando a todo vapor movidos pela brisa refrescante - a mesma brisa que nos acompanhara durante todo o trajeto. Passem protetor solar e levem suas sandálias de dedo.O sol e a areia são quentes como o fogo do inferno, mas como estamos no paraíso, existe a brisa para refrescar e a água esverdeada e transparente que apesar de morna o ano inteiro, serve também como refresco quando nela se mergulha.

Todos ficam admirados como os mais de 100 kms que separam a capital, Fortaleza e a esplendida praia de Lagoinha, acham que o tempo passou rápido demais.

- Mas, foram mais de quatro horas!!!

O tempo passa muito rápido para aqueles que estão aproveitando a vida.Falar em aproveitar? É hora do almoço.

A barraca de praia é rústica, mas o cardápio e as instalações - cinco estrelas. E o atendimento? Bem, o atendimento é descontraído, sem frescura, mas com um charme único.Vem a conta.Os turistas que já se tornaram meus amigos, me chamam.Deve haver algo errado - comentam.Comemos muita lagosta, tomamos caipirinha à vontade. E, só deu isto?

- É assim mesmo, todos acham a comida muito barata. Talvez por esquecerem que o jangadeiro que trouxe tantas delicias do mar está bem ali, a poucos metros de nós.

Depois do almoço e de um bom descanso é hora de pegarmos a estrada, ou melhor, a via praia de areia batida e atravessarmos os igarapés que deságuam no mar, afinal o Land Rover também merece refrescar os pneus.

Chegamos à pousada da primeira noite. Poucos acreditam nas instalações confortáveis e no charme da decoração. Da pousada até o mar a distancia vai depender da altura da maré. Isto mesmo, como se espantou certa vez uma turista Francesa.

Com espanto ela me disse: chegamos ontem e o mar estava tão distante. Hoje pela manhã ele esta aqui, quase embaixo de minha janela.Explico que é por isto que só poderemos sair depois de esperarmos umas duas horas, pois a maré irá recuar e o mar irá ceder o espaço necessário para que a Land Rover possa se mover pela areia, que ele cobriu durante as seis horas de maré alta.Durante o tempo de espera tem muito a se aproveitar, mergulho na piscina de água doce da pousada que fica a menos de vinte metros do mar, ou quem preferir água salgada, as piscinas naturais que se formam ao longo da praia quando a maré começa a baixar.

A cada parada, por mais breve que seja, parece que estamos deixando uma família para trás.A simplicidade, gentileza e bom humor do povo nordestino são cativantes.Logo à frente, uma jangada adaptada nos espera para fazer a travessia do Rio Mundaú:

- Como pode um Jipão pesado deste ir flutuando numa jangada que tem o tamanho exato para esta travessia?Onde esta o motor desta embarcação?

- Nos braços do filho do jangadeiro, que agora é balseiro.

Com uma habilidade incrível ele maneja o remo traseiro e impulsiona a jangada. A correnteza é vencida, e logo alcançamos a outra margem.Os mais de três mil quilos do veiculo, bagagens e passageiros parecem ter flutuado suavemente pelos mais de trezentos metros que separam uma margem da outra.Ao retornarmos ao chão, quase firme, notamos que bem a nossa frente, a via praia vai se alargando a medida em que a maré vai baixando.Nomes estranhos como Sabiaguaba, Caetanos, Baleia e Icaraizinho de Amontada contrastam com as paisagens. Hora grandes falésias, hora coqueiros com as raízes de fora, que parecem colocados ali para serem replantados. É o efeito da natureza renovando e se aperfeiçoando aquela estonteante paisagem (como se isto fosse possível!). É como se um perfeccionista estivesse sempre ali, cuidando de cada detalhe.Pode ser que o Arquiteto do Universo ainda esteja trabalhando por lá. É comum ouvir as pessoas dizerem que sentiu com mais intensidade a presença Dele naquele local.

Chegamos a Jericoacoara, deixo que cada um aproveite a sua maneira o entardecer e a noite desta famosa vila de pescadores.Entro no Cyber Café e conto esta viagem até aqui. Estou de volta ao computador, mas só para dizer um oi a todos, pois amanhã sigo com a segunda etapa de minha viagem. Abraços

J. Ruy


 
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